Isso foi possível durante bastante tempo. Em Novembro de 1941 Hitler esteve bem perto de tomar Moscovo... Moscovo só esperava o aparecimento dos panzers do Reich na praça do Kremlin para se revoltar. Estaline teria saltado. Teria sido o seu fim.
Quais teriam sido as reacções do mundo?
A Inglaterra de finais de 1941 podia alijar a carga de um momento para o outro. Bastaria que Churchill, tocado por um ataque de apoplexia, desse um trambolhão numa tarde de whisky dema-siado abundante. Mesmo vivo, só dependia do estado de ânimo do seu público.
No fundo, a que conduzia esta guerra? Na rea-lidade, a que conduziu? A Inglaterra terminoua arruinada, privada da totalidade do seu Império e relegada, no âmbito mundial, à categoria de nação de segunda ordem, depois dos seus 5 anos de streaptease político.
Também não se teria ouvido mais falar de De Gaulle, convertido em pacato professor no Quebec.
Uma vez a URSS nas mãos de Hitler no outono de 1941, a resistência inglesa teria terminado, com Churchill ou sem Churchill.
No que respeita aos americanos, ainda não tinham entrado na guerra, naquela altura. O Japão já se preparava para o assalto. Os Estados Unidos, ocupados na Ásia durante muito tempo, não poderiam abrir outra frente na Europa naquelas circunstâncias. O conflito militar Estados Unidos-Hitler não teria tido lugar, a despeito dos rancores belicistas do velho Roosevelt, já esverdeado e cadavérico, enfiado na sua capa de cocheiro, e apesar da sua mulher Eleonor, de dentes arreganhados em ardor guerreiro... dentes que pareciam a pá de uma escavadora.
Admitamos, pois, que, ao terminar o outono de 1941, Hitler se tinha instalado no Kremlin, da mesma maneira que se instalara em Viena em 1938, em Praga em Abril de 1939 e na carruagem do armistício de Compiègne em Julho de 1940.
O QUE TERIA ACONTECIDO À EUROPA ?????
Hitler teria unificado a Europa pela força, sem dúvida nenhuma. É lamentável, dir-se-á. Pois é, mas a verdade é que as coisas acontecem sempre assim. Os Capeto não forjaram o reino da França com eleições e sufrágio universal, e todo o território francês se consolidou com tiros de arcabuz e de besta. Napoleão traçou com baionetas cada uma das fronteiras do seu Império. A Espanha não convidou os mouros a espanholizaremse ao ritmo das castanholas. Combateu-os tenazmente durante os 8 séculos que durou a Reconquista. No século passado Bismarck fir-mou com canhões a unidade alemã, em Sadowa e em Sedan. Garibaldi não uniu as terras ita-lianas com o rosário na mão, mas tomando de assalto a Roma pontifical. Os Estados Unidos da América só foram Unidos depois do extermínio dos seus antigos proprietários e moradores, os pelesvermelhas, e só depois de 4 anos de matanças muito pouco democráticas, ao longo de toda a guerra da Secessão.
Os grandes impérios, os grandes Estados, for-jaram-se todos pela força! É lamentável? Talvez, mas é uma realidade incontestável!
Hitler, acampando numa Europa pouco dócil, não teria feito nem mais nem menos que César quando conquistou as Gálias, que Luís XIV ao apoderar-se do Rossilhão, que os ingleses ao tomar a Irlanda, acossando e perseguindo os seus habitantes, que os americanos ao dispararem os canhões dos seus cruzadores contra as Filipinas, Porto Rico, Cuba, Panamá, ou transferindo com tiros de mísseis as suas fronteiras militares até ao paralelo 37, sobre o Vietnam.
A democracia, isto é, o consentimento eleitoral dos povos, só vem depois, quando tudo já está terminado! As massas não observam o universo senão através das janelinhas das suas preocupações pessoais. Nunca um bretão, um flamengo, um catalão do Rossilhão, teria actuado por iniciativa própria para se integrar numa unidade francesa.
São as elites que fazem o mundo. E são os fortes, não os débeis, que empurram os demais para diante.
Em 1941 ou 1942, mesmo que a vitória de Hitler na Europa fosse total, irreversível, mesmo que a Alemanha fosse «dona da Europa» por 1.000 anos, os descontentes teriam proliferado aos milhões. Cada um deles ter-se-ia agarrado aos seus costumes, à sua pátria minúscula, superior, por certo, a todas as outras. Todos se aferram às suas povoações, às suas províncias, aos seus reinos e às suas repúblicas!...
Mas este complexo europeu da pequenez podia evoluir, aliás estava a ponto de mudar, e era cada vez mais realizável. No decurso da História há numerosas provas da possibilidade de unir os europeus, por muito diferentes que sejam. Os 100.000 protestantes franceses que se viram obrigados a abandonar o seu país depois da revogação do Édito de Nantes no século XVII, acomodaramse maravilhosamente aos prussianos que os receberam. Centenas de milhares de colonos alemães espalharamse durante séculos através dos países bálticos, para a Hungria, Roménia e mesmo - em número de 150.000 - ao longo do Volga. Os flamengos que se instalaram em grande número no norte da França deram a esta as suas mais tenazes elites industriais. Os espanhóis de esquerda, que não tiveram outro remédio senão refugiaremse na França depois da derrota de 1939, confundiramse, no espaço de uma geração apenas, com os franceses que os admitiram. Os centos de milhares de italianos instalados na França também vieram a confundirse durante o século passado com os naturais do país, e com assombrosa facilidade.
O Império napoleónico também reuniu os euro-peus sem se importar demasiado com a sua opinião. O que não impediu que as suas elites se tivessem interpenetrado com uma extraordinária rapidez. O alemão Goethe veio a ser cavaleiro da Legião de Honra; o príncipe polaco Poniatowski chegou a Marechal da França; Goya abasteceu o Museu do Louvre de mestres espanhóis; Napoleão proclamava-se, nas suas moedas, Rex Italicus.
Os eternos descontentes, espalhados por dez países diferentes da Europa, ter-se-iam aproximado uns dos outros e, finalmente, teriam confraternizado, exactamente como nós fizemos nas fileiras da Waffen--SS durante a II Guerra Mundial. Os maus momentos seriam esquecidos e só se recordaria o que interessasse verdadeiramente.
A actual aproximação europeia, que num quarto de século submergiu séculos de História, operouse sem nenhum estímulo político e somente através dos turistas que circulam aos milhões de um país para outro. Os costumes já se confundiram tanto uns com os outros, que parecem um cocktail dos mais variados ingredientes.
Com Hitler o processo de unificação ter-se-ia de-senvolvido com mais rapidez, certamente, mas, sobretudo, ter-se-ia desenvolvido menos anarquicamente. Uma grande e comum construção política teria orien-tado e concentrado todas as tendências.
No início, os milhões de jovens, alemães e não alemães, que tinham combatido juntos desde o Vístula polaco ao Volga russo, ter-se-iam convertido, graças aos esforços e aos sacrifícios comuns, em camaradas para toda a vida. Conheciamse. Estimavamse. As rivalidades europeias de ontem, manias de burgueses empedernidos, pareciam-nos ridículas. Em 1945 cons-tituíamos um verdadeiro núcleo de 1 milhão de combatentes SS unidos para sempre!
À juventude ia oferecer-se um mundo novo, uma Europa surgida do génio e das armas. Em lugar de vegetarem em Candebec-en-Caux ou em Wuustwezel à volta de arenques fumados ou de maçãs maduras, teriam dirigido a sua atenção para as terras sem fim do Leste que a todos se ofereciam. Poderiam forjar ali em conjunto uma vida verdadeira, de homens, de criadores, de chefes.
Toda a Europa teria sido trespassada por esta corrente imensa de energia e dinamismo. O ideal que em poucos anos tinha contagiado toda a juventude do III Reich, porque significava a audácia, a entrega, a honra, a projecção para o verdadeiramente grande e formoso, teria calado no mais fundo dos demais jovens da Europa. Não mais vidas medíocres! Não mais horizontes escuros e duvidosos! Ao diabo com a vida vulgar na mesma região, no mesmo palmo de terra, na mesma casa de sempre... Um mundo vibrante empurraria os jovens europeus através de milhares de quilómetros sem fronteiras a arejar plenamente os pulmões, a descobrir riquezas novas e desconhecidas, a conquistar tudo com fé e alegria!
Em vez de congressos vacilantes de comparsas carcomidos pela desconfiança e pelas reservas mentais, uma grande unidade política, social e económica sem círculos fechados e sem individualismos egoístas...
Havia que ouvir Hitler expor os seus grandes projectos para o futuro. Canais gigantescos a unir os grandes rios europeus, abertos aos navios de todos, do Sena ao Volga, do Vístula ao Danúbio. Combóios de 4 metros de largura e dois pisos, rodando sobre vias elevadas e franqueando os imensos territórios do Leste, onde os soldados de ontem teriam criado as explorações agrícolas e as indústrias mais modernas e pujantes que é possível conceber, destinadas a 500 milhões de clientes europeus!
Durante 20 anos, ter-se-ia grunhido, resmun-gado... Mas, ao cabo de uma geração, a unidade teria sido conseguida. A Europa ter-se-ia constituído para sempre na mais potente unidade económica do orbe e no lar mais importante da inteligência criadora. As massas europeias teriam conseguido então respirar. E, uma vez ganha esta batalha da unidade, a disciplina haveria de suavizarse necessariamente.
- A Alemanha teria devorado a Europa?
Não o creio. Em primeiro lugar, Hitler era um homem acostumado a ver longe, e não se deixava submeter pelo exclusivismo alemão. Era austríaco, depois alemão, logo germânico. Em 1941 já tinha superado todas essas etapas: tornarase europeu! O génio passa para além das fronteiras e das raças!... Que quer o génio? Superarse continuamente! Quanto maior for a massa a modelar, melhor se sente no seu elemento!
A Europa, para Hitler, era uma construção de vulto digna dele. A Alemanha não era mais que um imóvel importante que ele tinha edificado e que olhava agora com complacência. Mas ia mais longe: não havia nenhum perigo real na alemanização da Europa! Se havia muitos alemães, havia também muitos outros europeus. E todos eles possuíam qualidades próprias, excepcionais, indispensáveis aos alemães. Refirome, fundamentalmente, ao génio francês. Nada era possível e nada será possível na Europa sem a finura e a graça francesas, sem a vivacidade e a clareza do espírito francês.
A Europa de Hitler teria sido um tanto argamassada no princípio. É verdade que, ao lado de um Goering, senhor do Renascimento, que possuía o sentido do faustoso e do artístico, e de um Goebbels, inteligente e vivo como uma doninha, muitos chefes hitlerianos eram grosseiros e vulgares... Precisamente por isso, o génio francês teria sido indispensável a esta nova Europa!
O génio italiano também teria servido de contrapeso à rude potência germânica. Teria invadido a Europa hitleriana com a sua moda elegante, o requinte dos seus sapatos e os seus automóveis ligeiros e rápidos.
Igualmente teria intervindo o génio russo e de maneira considerável, estou certo. Este povo é tranquilo, sensível, inteligente e artista e possui ao mesmo tempo o dom das matemáticas, o que não é uma contradição: a lei dos números é a base de todas as artes! O alemão possui qualidades admiráveis de técnico e organizador. Mas o russo, sonhador, é mais imaginativo e vivo de espírito. Um teria completado o outro. Os laços de sangue fariam o resto. Os jovens alemães teriam desposado centenas de milhares de jovens russas. A conjunção germano-russa teria feito maravilhas!
Sim, o problema era gigantesco! Soldar 500 milhões de europeus que não tinham, à partida, desejo nenhum de coordenar o seu trabalho, de juntar esforços, de harmonizar caracteres... Mas Hitler levava em si mesmo o génio e o poder suficientes para impor e realizar esta obra gigantesca, onde centenas de políticos medíocres e vulgares só poderiam fracassar. Milhões de soldados estariam ali a secundar a sua missão de paz, soldados chegados de toda a Europa, da Divisão Azul, da Divisão Flandern e dos Balcãs, da Divisão Charlemagne e os seus centos de milhares de camaradas das 38 Divisões da Waffen-SS.
Sobre a península reduzida que subsistiu na Europa depois do naufrágio do III Reich, edificaramse os alicerces mal assentes, pouco estáveis, de um Mercado Comum híbrido, foco de rivalidades. Uma Europa animada por um ideal heróico e revolucionário, construída em grande, teria um aspecto bem diferente!...
A juventude da Europa teria tomado rumos diferentes daqueles que tomou com os beatniks errantes e contestatários... Depois de alguns fluxos e refluxos, os diferentes povos europeus ter-seiam surpreendido ao verificarem que se completavam tão bem! Os plebiscitos populares haveriam de confirmar que a Europa da força se tinha convertido, dos Pirinéus aos Urais, na Europa livre, numa comunidade de 500 milhões de europeus conciliados.
É uma pena que Napoleão tenha fracassado no século XIX. É igualmente lastimoso que, no século XX,
Hitler fracassasse também. O comunismo teria sido varrido do mapa. Os Estados Unidos não teriam impingido ao universo a sua ditadura das conservas!...
-Teria sido uma Europa de campos de concentração?
Este estribilho já foi utilizado vezes demais. Como se não houvesse mais nada em que pensar nesta Europa em construção... como se, depois da queda de Hitler, os homens não tivessem continuado com extermínios na Ásia, na América, mesmo na Europa, nas ruas de Praga ou de Budapeste... como se as invasões, as violações de territórios, os abusos de poder, os complots, os raptos políticos, não tivessem florescido mais que nunca no Vietnam, em Santo Domingo, na Vene-zuela, na Baía dos Porcos, na Argélia, na Indochina, no Biafra, e até em Paris, por ocasião do caso Ben Barka, já esquecido...
Não foi Hitler mas o israelita Moshe Dayan quem montou operações-relâmpago e lançou carros de combate para o Canal de Suez, ocupando à força territórios árabes três vezes maiores que os seus, que os arrebanhou (apesar de todas as conferências da ONU) e que encerrou os povos submetidos em campos de concentração miseráveis!
Há que estar contra a violência, sim! Mas contra todas as violências! Não somente contra as violências de Hitler, mas também contra as violências do ministro francês Mollet, quando lançou milhares de páraquedistas sobre o Canal de Suez em 1956, com tanta premeditação como aleivosia; contra as violências francesas na Argélia, onde milhares de crimes de guerra foram perpetrados com o beneplácito dos sucessivos governos franceses; contra as violências dos americanos, massacrando a 1.500 quilómetros de Massachussetts ou da Flórida os vietnamitas, exterminando atrozmente multidões de mulheres e crianças indefesas; contra as violências dos ingleses, armando até aos dentes os nigerianos para recuperar os poços de petróleo supercapi-talistas à custa de 1 milhão de cadáveres, entre os quais centenas de milhares de crianças mortas de fome, verdadeiro e implacável genocídio; contra as violências dos sovietes que, debaixo dos seus carros de combate, esmagaram húngaros e checos que resistiam à sua tirania; e contra as violências repetidas de Israel, conquistando, esmagando, multiplicando raptos e represálias!
Arrastaramse os vencidos a Nuremberga, encerraramse em celas como macacos, proibiuse aos seus defensores fazerem uso de documentos que poderiam ter molestado ou comprometido os acusadores, principalmente os que faziam referência à matança em Katyn de 15.000 oficiais polacos, só porque os representantes de Estaline - o supremo assassino do século - faziam parte do Tribunal de Crimes de Guerra de Nuremberga, em cujo banco dos réus se deveria ter sentado o próprio chefe da URSS1.
Se se pretende recorrer a tal procedimento, então que seja extensivo a todos os criminosos, não apenas aos criminosos alemães, mas aos criminosos ingleses que massacraram 200.000 inocentes no monstruoso bombardeamento de Dresden2 aos criminosos franceses que, sem qualquer espécie de julgamento, fusilaram no seu território, no outono de 1944, prisioneiros alemães sem defesa, aos criminosos americanos que trituraram os órgãos sexuais dos prisioneiros SS de Malmédy em 1945 e experimentaram, sem qualquer necessidade militar, num Japão que já estava vencido, que há 3 meses oferecia a capitulação, a mãe monstruosa de toda a chantagem mortal de agora, a bomba atómica de Hiroshima!3
Este procedimento devia valer igualmente para os criminosos soviéticos que estigmatizaram a II Guerra Mundial com horríveis e inumeráveis crueldades levadas a cabo metodicamente na Alemanha oriental e que chacinaram milhões de pessoas nos seus imensos campos de concentração instalados no Mar Negro e na Sibéria. Estes campos não foram fechados depois da II Guerra como foram os do III Reich, com os quais continuam, 25 anos depois4, a martelarem-nos os ouvidos. Estes campos soviéticos existem hoje em dia e continuam a funcionar! Para lá se enviam continuamente milhares de seres humanos que tiveram a desgraça de não caírem nas boas graças dos senhores Brejnev, Kossyguine e restantes cordeiros democráticos! Sobre estes campos, em plena actividade, onde os sovietes encerram incansavelmente todos os que se opõem à sua ditadura, nenhum dos falastrões democráticos ousa pronunciar uma só palavra de protesto! Nenhum deles se irrita sequer... nem pede sanções internacionais!
O mesmo acontece com as desobediências de Israel às repetidas e claras decisões da ONU5. Que se passa, então? Onde está a preocupação pela verdade e pela equidade? Onde está a boa-fé? Onde começa a farsa? Quem é mais repugnante? O que mata, ou o que representa a comédia da virtude e se cala muito calado?...
Tantos virtuosos protestos dos censores indi-gnados quando se trata de Hitler e tão curiosamente mudos quando já não se trata dele, não são mais que comédias abjectas que só transformam o espírito da justiça em espírito de vingança e a crítica da violência na mais tortuosa das hipocrisias. Paz aos mortos que caíram debaixo de Hitler. Mas o tamtam infernal, repetido incansavelmente sobre as suas sepulturas pelos falsos puritanos da democracia, é indecente!
Apesar da derrota na Rússia, apesar de Hitler acabar abrasado, apesar de Mussolini ter sido enforcado, os Fascismos terão sido - juntamente com a instauração e a consolidação dos sovietes na Rússia - o grande acontecimento do século.
Algumas das preocupações hitlerianas de 1930 já se esfumaram. A noção do espaço vital foi superada e a prova está na Alemanha ocidental que, reduzida à terça parte do território do III Reich, é hoje em dia mais rica e poderosa que o Estado hitleriano de 1939. Os transportes internacionais e marítimos de baixo preço mudaram tudo. Sobre uma rocha escarpada e bem situada, é possível instalar hoje a mais potente indústria do mundo, como se viu no Japão. O campesinato, que tinha sido extraordinariamente favorecido pelos fascismos, passou em todo o lado a um plano secundário. No momento presente rende mais uma quinta inteligentemente industrializada que cem explorações não racionalizadas e sem material moderno adequado. Antes maioria, os camponeses são hoje uma minoria cada vez mais reduzida. Mesmo as doutrinas sociais,que não tinham em conta senão o capital anónimo e o trabalho individual, já estão superadas. Um terceiro elemento veio a intervir cada vez mais: a massa cinzenta. A Economia deixou de ser um casamento de dois para ser de três. Um grama de inteligência criadora tem mais importância que um comboio carregado de carvão ou de pirite. O cérebro converteuse na matéria-prima por excelência. Um laboratório de investigação científica pode valer mais que uma cadeia de montagem. Antes do capitalista e do trabalhador, o investigador! Sem ele, sem os seus equipamentos especializados, sem os seus computadores e sem as suas estatísticas, o capital e o trabalho são simples corpos mortos. Os próprios Krupp e Rotschild tiveram que ceder o passo a cabeças mais bem dotadas.
A evolução destes problemas, já evidente em 1940, não colheu Hitler de surpresa. Ele que lia tudo, estava ao corrente de tudo! Os seus laboratórios atómicos foram os primeiros do mundo7.
A Alemanha, a Itália também, apesar de serem os vencidos, os espezinhados (o III Reich não era mais que um montão de ladrilhos e escombros em 1945), não tardaram muito em se situarem à cabeça da Europa. Porquê?... Porque a grande escola do hitlerismo e do fascismo tinha criado caracteres. Tinha formado mi-lhares de jovens chefes, tinha impregnado de persona-lidade milhares de seres, tinhalhes revelado, em circunstâncias excepcionais, os seus dotes de organização e de comando que a rotina idiota, semi-burguesa, dos tempos precedentes, não lhes tinha permitido nunca pôr em jogo.
O milagre alemão depois de 1945 foi isso: uma geração, triturada materialmente, tinha sido preparada para desempenhar o papel de dirigente graças a uma doutrina fundada na autoridade, na responsabilidade, no espírito de iniciativa; na prova do fogo, esta doutrina deu aos caracteres a têmpera do melhor aço; no momento em que foi necessário levantar tudo, refazer tudo, reve-louse como uma alavanca sem igual!
O actual desencadear de descobertas modernas, desde a energia nuclear à miniaturização, foi posto em marcha por Hitler (tapem os ouvidos, se quiserem, mas é assim mesmo!), enquanto a Europa dormia o sono dos vagabundos, sem ver mais para além do seu nariz!
Por exemplo, que teria sido de Von Braun, jovem germano desconhecido e sem recursos, sem Hitler? Poderia falar-se de casos semelhantes e de centenas de pessoas. Tinham talento, é certo, mas que teriam feito só com o seu talento?... Os americanos sabiam muito bem que o futuro científico do mundo inteiro estava ali, nos laboratórios de Hitler. Apesar de se deixarem apresentar complacentemente como os reis da ciência e da técnica, a sua preocupação maior ao veremse vencedores em Maio de 1945, foi a de se precipitarem através do território do III Reich, ainda fumegante, a recuperar centenas de sábios atómicos. Os soviético levaram a cabo uma operação semelhante. Em comboios a abar-rotar, transportaram para Moscovo os sábios de Hitler.
Aos que cooperaram, os americanos estenderam pontes de ouro. Fizeram chefe do seu imenso complexo nuclear o Von Braun de Hitler - do mesmo Hitler a quem a América tanto devee que, já em Agosto de 1939, ainda antes do começo da guerra com a Polónia, lançou o primeiro foguetão do mundo no céu da Prússia. Foi nesse dia que começou o mundo moderno!
Neste aspecto, como no social, os detractores de Hitler não são mais que tardios e grosseiros imitadores. Que outra coisa é o Centro francês de Investigações de Pierrelate senão uma imitação fraca, incompleta, da base hitleriana de Peenemunde, e com 25 anos de atraso?...
Desaparecido Hitler, o mundo democrático mostrouse incapaz de criar algo verdadeiramente novo nos sectores político e social. Nem sequer conseguiu corrigir o velho. Não foi capaz de reparar as estruturas decrépitas de antes da guerra, apesar do mito democrático ao velho estilo, pomposo, charlatão, incompetente, estéril, já não ser mais que um balão vazio que não só deixou de atrair, como até provoca a chacota!
Quem se preocupa ainda com os velhos partidos e com os seus velhos bonzos, desvalorizados e esquecidos?...
Em contrapartida... quem esquecerá algum dia Hitler e Mussolini?...
Milhões dos nossos rapazes morreram depois de uma odisseia terrível. Que foi feito lá, tão longe, das suas pobres tumbas?... As nossas vidas, as dos sobreviventes, foram sacudidas, destroçadas, definitivamente eliminadas. Mas os Fascismos, para os quais nós vivemos, modelaram para sempre a nossa época. Na nossa desgraça, isto não deixa de ser também o nosso grande consolo.
A cortina da História pode caír sobre Hitler e Mussolini, como caíu sobre Napoleão.
Os anões já não poderão mudar nada.
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3 comentários:
Se tivesse ganho voçês não estariam aqui neste momento!
a seguir aos judeus e ciganos os Portugueses eram o alvo de Hitler por ser a raça Portuguesa a mais misturada!!
sim sim viva o tio!
Caldas Resistente!!
"Perdoai-lhe Senhor pois não" sabe o que diz...
para : Caldas Resistente
atenção,O Portugal de antes não é o Portugal de agora.
mas respondendo á tua tese estupida, sim sim e não te esqueças que mal Hitler chegasse a Portugal os primeiros alvos seriam:
-cova da moura
-buraca
-chelas
-etc...
que já existiam naquele tempo para ti concerteza...
já agora onde foste buscar essa ideia tao ignorante?
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